Uma paixão

Sabe aquele momento em que vemos algo que nos chama muito a atenção, que gostamos sem saber por que ou enumerando vários motivos? Não importa, o que importa é que gostamos. E muito. Nem precisa do impacto da primeira olhada, mas da primeira tomada de consciência do nosso gosto absurdamente grande por determinada coisa. Ou pessoa. Não é do que trata o post, mas para dar uma noção do sentimento.
Sabe a curiosidade que isso dá? E que quanto mais a gente descobre, mais fundo quer ir, mais se identifica, e aumenta o sentido de "isso é meu"? Para ser mais exata, o sentido de "eu sou disso". Não sei se meus dois leitores já se apaixonaram assim, -volto a dizer- por algo ou alguém ou se já encontraram sua almagêmea para saber exatamente a sensação de "ter" algo como seu, e esse sentodo de "ter" ir muito além do de posse. Não vou saber explicar... E "pertencer" a algo, como se fizesse parte do próprio corpo.

Eu tenho todas essas sensações, absolutamente todos os dias. Desde sempre, ainda que não percebesse assim tão claramente, mas já era apaixonada. Nunca revelei para que ninguém me perguntasse quem eu penso que sou e eu tivesse dificuldades de responder, e por falta de confiança em mim, desistisse. Sou suscetível, admito. E sendo eu de tantas paixões, na falta de considerar uma dessas paixões possível iria em busca de outra bem rápido. Por que sou movida à paixão. (E uma das minhas (a primeira) é o ato de criar. De deixar o cérebro seguir seu rumo e nem ter tempo de anotar. Ter que fixar linhas gerais no pensamento para poder seguir essas linhas depois, por que depois dessas vem outras e outras e outras. Depois tentar executar, porque nada existe sem que antes não tenha sido imaginado, portanto é só achar o método, pois é possível sim.)Não consigo conceber uma vida sem paixão. O problema é que se a pólvora é a paixão, o dom, talento, aptidão, identificação, - dê o nome que quiser - a água no pavio é alguém me perguntando se acho que posso. Tenho medo de questionar se posso ou não. Passei todo o tempo achando que não era capaz. Além disso, já disse: sou suscetível e ainda bem que soube a tempo dessa limitação. E não quero responder agora, só quero tentar. Quero conseguir acima de tudo. Dessa vez, conseguir vai valer muito mais do que tentar. (devo lembrar de dizer aos meus filhos que ruim é não tentar mas que vencer é muito bom. Nada de "o que importa é competir".)


E agora, tal como a menina de uma das ilustrações mais lindas que tinha e que perdi, sonhando de olhos bem abertos com o livro ao lado do corpo, imaginando a cena, olhar de sonho e a expressão mostrando como já o tivesse realizado: lá vou eu.

Comentários

Ricardo Chicuta. disse…
Eu sinto isso todas as vezes que vejo uma mulher linda,quero ir bem fundo tbém. (Pois é,esse sou eu sendo eu).
Martini Bianco disse…
Complexo Grazi. Suscetível das mais diversas intrepretações. Mas o sonho e o tentar têm de estar sempre presentes, caso contrário de que servirá estar aqui?

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